XX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros Edição Virtual

Ana Ferrareze /// 20 de Julho de 2020

Um dos maiores encontros das culturas tradicionais e populares

O Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, o maior evento do gênero no País, completa duas décadas de celebração da música, das artes e das tradições populares de todos os cantos do Brasil. A Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, instituição realizadora do Encontro, prepara uma edição virtual este ano devido à pandemia do Covid-19. Com enfoque nos números musicais, as apresentações são transmitidas gratuitamente pelo canal do Encontro no YouTube durante um mês, com início no dia 25 de julho e término no dia 23 de agosto.

 Aguarda o público uma programação repleta de shows, rodas de conversa, oficinas, imagens da região, além de uma retrospectiva dos 20 anos do evento.
A curadoria do Encontro selecionou 47 artistas e grupos de todo o Brasil que preparam 31 espetáculos musicais. O evento recebeu ao todo 378 inscrições. A região com mais inscritos foi o Nordeste, com 35%. O Sudeste e o Centro-oeste alcançaram, respectivamente, 31,4% e 22,7%. O Norte contabilizou 7,1% e, o Sul, 3,8%. Quanto aos estados, participaram do edital mais músicos dos estados de São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, e Goiás. 

O formato virtual traz, no total, 16 lives com dois shows cada uma, 8 rodas de prosa e 8 oficinas. Diretamente da Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás, um cerimonialista conduz o programa e chama os artistas para um bate-papo rápido seguido por uma apresentação preparada por cada músico, de sua casa ou estúdio. O público conta com quatro lives por semana, de quinta a domingo, com exceção dos finais de semana de estreia e de encerramento. Estes totalizam duas transmissões, uma no sábado e outra, no domingo. No restante da semana, entre a segunda e a quinta-feira, é o momento das rodas de prosa e das oficinas, indo ao ar uma dessas atividades por dia.

O grande destaque das lives é o encontro musical entre artistas de diversas regiões do Brasil, o que mostra a potência da produção musical nacional e a enorme diversidade de ritmos e sons do País. Músicos e grupos são orientados a se encontrarem virtualmente e, a partir disso, produzirem arte juntos. Muitos deles preparam apresentações exclusivas para o evento.

Artistas da música de renome nacional e internacional, de várias regiões do País, compõem a programação junto às comunidades tradicionais. Músicos como Naná Vasconcelos, Hermeto Pascoal, Lenine e Lia de Itamaracá já participaram do evento. O Encontro reúne espetáculos que, além da música e arte, exprimem fé e traduzem a essência de povos indígenas, mestres, brincantes, violeiros, artistas e representantes de diferentes tradições da cultura brasileira. É possível conhecer, abaixo, a lista dos artistas selecionados para essa edição**.

A importância do evento para o resgate e o fortalecimento de uma identidade brasileira é do tamanho do Brasil. Agraciado com muitos prêmios e reconhecido, em 2006, pelo Ministério da Cultura (MinC), como uma das 10 melhores iniciativas em prol das Culturas, o evento promove ações que valorizam as diversas manifestações culturais transmitidas pelos mestres, povos originários e pelas novas gerações de artistas e músicos.

Juliano Basso, presidente da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, afirma que o evento reúne e levanta bandeiras fortes, como a diversidade, a agenda ecológica e a preservação das culturas tradicionais e populares, cujas manifestações são patrimônios imateriais. “Essas características dizem respeito à nossa identidade, história e originalidade, e que, se bem valorizadas, podem beneficiar nossos povos e o entendimento sobre o que é o Brasil e o povo brasileiro. Além de levar ao reconhecimento do valor estético indiscutível dessas manifestações e à sua assunção como arte contemporânea e atemporal”, conclui.

Todo ano, durante 15 dias do mês de julho, sobem as cortinas e um lugar encantador, cercado de natureza, ao pé do Parque Nacional da Chapada, se desvela em meio ao cerrado goiano, no coração do País, e vira cenário de mestres e artistas que levam suas músicas, danças, artes e cultura para cerca de 30 mil visitantes. Na edição virtual, o evento espera atingir um público ainda maior já que agora é possível levar o Encontro até a casa das pessoas, via internet.  

Diversas pautas que tocam em temas urgentes do Brasil se entremeiam à filosofia do Encontro. Basso chama a atenção para o Cerrado, bioma da região centro-oeste, onde ocorre o evento, alvo de exploração e desmatamento. “O Cerrado tem a mesma importância que a Amazônia para o Brasil, mas é esquecido nas discussões sobre o meio ambiente”, afirma o idealizador do Encontro.  

A Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge acredita na arte e na cultura como essenciais ao enfrentamento do contexto atual de crise. A organização promove a multiplicação de ações que incentivam o desenvolvimento de trabalhos artísticos e dos profissionais da cultura no País, principalmente no fortalecimento das culturas tradicionais. Tem como missão “promover encontros multiculturais que estimulem a troca de saberes e fazeres”. 

PÚBLICO DO ENCONTRO DE CULTURAS e PROJETO TURMA QUE FAZ

Com público amplo, vindo de todas as partes do Brasil e do mundo, formado por pessoas de todas as idades e classes sociais, o evento viabiliza a reunião das culturas populares em momentos espontâneos, charmosos, únicos e que marcam a experiência de quem assiste.

 
Juliano Basso enxerga nos jovens um público em potencial. Eles já representam uma parcela dos participantes, tanto como artistas quanto como espectadores, e são essenciais para a permanência dessas manifestações do Encontro de Culturas.

Projeto que integra a programação do evento todos os anos, a opereta popular, das crianças e adolescentes do Turma que Faz, foi idealizada por Doroty Marques. A arte-educadora está, há três décadas, à frente de um trabalho social por meio de atividades educativas, artísticas, esportivas e ambientais, que utilizam a arte e o meio ambiente como linguagem sensibilizadora e realizadora. Esse ano, ela prepara a apresentação à distância com as crianças, devido à quarentena.

**ARTISTAS SELECIONADOS  

Categoria 1  

Lia de Itamaracá + Filhas do Barachinha (PE)
Juraildes da Cruz (GO)
Odete Pilar + Ceguinhas de Campina Grande (PB)
Nelson da Rabeca e Dona Benedita (AL) + Maciel Salú (PE) + Thomas Rohrer (SP)
Tião Carvalho + Ana Maria Carvalho (MA/SP)
Coco Raízes do Arcoverde (PE) + Coco de Praia do Iguape do Mestre Chico Casueira (CE)
Geovana (RJ) + 7 na Roda (DF)
Adiel Luna (PE) + Mestre Bule Bule (BA)

Categoria 2  

Xamba das Yabás + Isaar (PE)
Grupo Orí (PE) + Sergio Pererê (MG)
Cantoras dos Rojões (AL)
Idowu Akin + Iara Deodoro (RS)
Rodrigo Ciampi (SP) + Felipe Cordeiro (PA)
Cafurnas Fulni-ô (PE)
Grupo Çapo (AM)
Foli Griô (RJ)

Categoria 3  

Goiaba + Flavio Marciano (GO)
Ave Eva + Forró das Muié (GO)
Conrado Pera (GO)
Maracatu Leão do Cerrado (GO)
Baque Mulher (GO)
Trio Buritis (GO)
Araraúna (GO)

Resultado edital 2/2020 – Jovens artistas

Afoxé Alafin Mimi (PE)
Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi (PB)
Iamandu Karai e Tainara Takua (SC)
Grupo de Coco Mixidinho da Xambá (PE)
Coral de Jovens do Povo Fulni-ô (PE)
Grupo de Suça Tia Benvinda (TO)
Tambores do Tocantins (TO)
Orquestra Cultural do Barro Branco (BA)

EM BREVE, PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Ana Ferrareze

Ana Ferrareze

Coordenadora de Comunicação Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge

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