Kalunga, o Povo de 300 anos!

Emeric Kalil —  29 de Setembro de 2019

Vão de Almas e o Belo Povo Núbio

Kalunga é o nome atribuído a Descendentes de Africanos que formaram Comunidades Autossuficientes e viveram mais de duzentos anos sem contato com a sociedade, divididos numa área de 230 mil hectares, que abrangendo Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás, é o maior Território Quilombola conhecido do mundo. 

Já tinha ouvido falar sobre o Povo que vivia no Sertão do Centro Oeste, a Família por parte do Pai é Goiana de Porangatu, pequeno município, muito próximo da divisa com o Tocantins.  Embora tenha nascido em Marabá-PA e tido Educação Nordestina, vivi parte de minha infância e a juventude no Cerrado. Mas sabe o que é curioso mesmo? A escola nos dar aula de história e nunca ter mencionado esse Povo. Só posso dizer uma coisa, eu nem tinha ideia! 

Felipe Matrix, parceiro aqui da Revista, me contou que participara de uma expedição montada, que havia percorrido parte do Território Kalunga, era a primeira Expedição Kalunga Adentro, uma iniciativa do amigo Jose dos Santos (Zé Pretinho) com apoio do Guia Dumato. Agora em agosto, a segunda expedição, foi organizada e Eu convidado à integrá-la, com intuito de documentar a vivência. 

As próximas publicações contarão a história cronológica dos acontecimentos, desde então!

Fomos Curtir 3 dias, sendo 1 para deslocamento, do Engenho II até o Festejo no Vão de Almas,  a Romaria de Nossa Senhora da Abadia. Percorremos uma estrada de chão incrível, com paisagens e formações pré-históricas. Estarrecido, passava a maior parte do tempo contemplando. Num momento da viagem temos que atravessar um Rio de largura considerável e para tanto, seguir uma trilha dentro da água, cuidando para a água ficar longe do motor. Sem dificuldade passamos e a partir dali ficou tudo diferente.

Pequenas casas de adobe e palha começam a aparecer, espaçadas uma das outras, um pequeno comércio, uma visão familiar e estranha, porque era minha primeira vez ali.

Seguimos um pouco mais e nos deparamos com um vilarejo de construções, praticamente iguais, bem distribuídas. Paramos ao lado do Barracão do Forró e a Festa já estava à todo vapor. Estava quente e eu buscava algo para beber, fui direto no Rancho de André Sertanejo. Ali abrimos um gelo e uma cantoria se iniciou, durando 4 horas! Êta Festejo pé quente, Salve.

 

Na primeira publicação sobre o Povo Kalunga, falamos sobre a Romaria e seus Ritos Cênicos, retratando a passagem do então Império Brasileiro pelo território. No Vão de Almas também acontece a passagem do Império Kalunga, rumando na direção da Capela para realizar as intenções e solicitar a benção de Nossa Senhora da Abadia, padroeira desse Festejo. 

Na foto vemos a A Sagrada Família Real, escolhida por sorteio no festejo do ano anterior. Em sua frente, o estandarte com a Bandeira de Nossa Senhora da Abadia, que representa a Proteção e a Fé, que cerca a Família, protegida pelos mastros. A primeira foto retrata a armada, assim unindo a Fé e a Justiça como pilares dessa Sociedade. Esse Rito retrata o Povo Kalunga como vencedor através da Fé e da Luta, empoderados como Rei e Rainha de uma Terra abundante em Vida, digna dos tais.

Essa tradição se estende para mais de dois séculos e o Povo Kalunga ocupa o Território há pelo menos 300 anos, segundo informações dos Anciães.  É interessante notar que há muitas diferenças fisionômicas entre os Kalunga. Conheci pessoas de 140 cm e ate 200 cm, o que destaca as diferentes descendências étnicas, por sua vez unidas por um único sentimento, a Liberdade.

Émeric Kalil

Émeric Kalil

Cantor, Fotógrafo, Publicitário, Produtor e Vivente.

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